Eleições de 2026 colocam comércio exterior e política externa no radar das empresas brasileiras
5 de outubro de 2026
A eleição de 2026 ocorre em um cenário bastante diferente daquele observado em ciclos anteriores. Disputas tarifárias, mudanças nas cadeias globais de abastecimento, maior competição entre Estados Unidos e China e novos acordos comerciais fizeram com que decisões diplomáticas passassem a ter consequências mais imediatas sobre a economia. A política externa, tradicionalmente periférica nas campanhas presidenciais brasileiras, ganhou maior relevância justamente porque hoje está diretamente conectada a questões econômicas internas.
Para quem importa ou exporta, essa discussão está longe de ser apenas política. O posicionamento internacional do Brasil pode influenciar tarifas, acesso a mercados, acordos comerciais, investimentos estrangeiros e até o desenho das rotas utilizadas pelas empresas.
Comércio exterior depende de decisões que vão além das empresas
Uma companhia pode ter um produto competitivo, bons fornecedores e uma operação logística bem estruturada. Mesmo assim, parte do resultado de suas operações internacionais dependerá das condições criadas pelas relações comerciais entre os países.
A entrada ou saída de acordos, mudanças tarifárias, barreiras técnicas e negociações bilaterais podem alterar rapidamente a viabilidade de determinados mercados.
É por isso que política comercial e logística internacional caminham juntas.
Uma redução de tarifas pode tornar determinado fornecedor estrangeiro mais atrativo. Um novo acordo comercial pode abrir espaço para produtos brasileiros em mercados anteriormente pouco acessíveis. Da mesma maneira, uma disputa diplomática pode elevar custos ou gerar incertezas para exportadores que dependem de determinado destino.
Para as empresas, acompanhar essas mudanças deixou de ser algo restrito aos grandes grupos multinacionais.
Estados Unidos e China permanecem no centro da discussão
Um dos principais desafios para a política externa brasileira nos próximos anos será administrar a relação com as duas maiores potências econômicas do mundo.
A China continua tendo enorme importância para as exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais e investidores do país.
Os programas e manifestações dos candidatos durante a eleição de 2026 indicaram abordagens diferentes sobre a relação com Washington e Pequim, assim como sobre a participação brasileira no Brics, no Mercosul e em organizações como a OCDE. Deutsche Welle
Independentemente da orientação escolhida pelo próximo governo, uma questão deverá permanecer: empresas brasileiras precisam de previsibilidade.
Para quem negocia internacionalmente, mudanças bruscas de posicionamento podem gerar dificuldades na construção de contratos, planejamento de importações e definição de mercados para exportação.
Por outro lado, uma diplomacia econômica bem coordenada pode ampliar mercados e criar novas oportunidades.
Acordos comerciais podem redesenhar oportunidades
Outro ponto importante será o avanço dos acordos comerciais brasileiros.
Um exemplo recente é o relacionamento entre Mercosul e União Europeia. O componente comercial do acordo passou a ser aplicado provisoriamente em maio de 2026. Entre maio e agosto, as exportações brasileiras destinadas à União Europeia chegaram a US$ 20,4 bilhões, crescimento de 23,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o comércio bilateral atingiu US$ 38,9 bilhões. Não é possível atribuir todo o crescimento ao acordo, mas os números mostram a relevância econômica da relação entre os dois mercados. UOL Notícias
Para importadores e exportadores, acordos desse tipo podem significar mais do que simplesmente tarifas menores.
Eles podem modificar:
- competitividade dos produtos;
- origem de fornecedores;
- mercados de destino;
- exigências regulatórias;
- regras de origem;
- estrutura tributária da operação;
- volume de cargas em determinadas rotas.
Por isso, empresas que operam no comércio exterior precisam acompanhar negociações comerciais antes mesmo da entrada em vigor de novas regras.
Quando um mercado passa a oferecer condições mais favoráveis, quem já possui fornecedores, parceiros logísticos e estrutura operacional tende a conseguir aproveitar a oportunidade mais rapidamente.
Mercosul também continuará em discussão
O futuro do Mercosul aparece de maneiras diferentes nos projetos políticos apresentados ao longo da campanha.
Há propostas que defendem maior fortalecimento do bloco e outras que sugerem mudanças em sua estrutura, especialmente para ampliar a liberdade dos países-membros na negociação de acordos comerciais. Deutsche Welle
Qualquer alteração relevante nesse modelo pode produzir efeitos sobre o comércio exterior brasileiro.
Para empresas que movimentam cargas entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, questões relacionadas à integração regional também têm consequências logísticas.
O transporte rodoviário internacional dentro do Mercosul, por exemplo, é fundamental para inúmeras cadeias produtivas. Mudanças comerciais que estimulem maior circulação de mercadorias podem aumentar a demanda por transporte terrestre e soluções multimodais na região.
Mais comércio também exige melhor logística
Abrir mercados é apenas uma parte da equação.
O Brasil precisa ser capaz de transportar mercadorias de forma competitiva.
Quando uma empresa conquista um novo cliente no exterior ou encontra um fornecedor mais competitivo em outro país, entram em cena decisões como porto de embarque, armador, frequência dos navios, disponibilidade de equipamentos, tempo de trânsito e custos locais.
Uma vantagem tarifária pode perder relevância quando a operação logística é mal estruturada.
Por outro lado, planejamento adequado pode tornar viáveis negócios que inicialmente pareciam pouco competitivos.
Isso explica por que freight forwarders vêm assumindo um papel cada vez mais consultivo. A função não é apenas reservar espaço em um navio ou avião, mas avaliar alternativas de rota, modais e custos de acordo com cada operação.
Empresas precisam acompanhar o cenário internacional
Independentemente do resultado eleitoral, o cenário global continuará mudando rapidamente.
Tensões comerciais, novas tarifas, acordos regionais, conflitos e alterações nas cadeias produtivas podem mudar a dinâmica de importadores e exportadores em poucos meses.
Para empresas brasileiras, algumas perguntas passam a ser cada vez mais importantes:
De quais países vêm nossos principais fornecedores? Existe risco de concentração excessiva? Há mercados alternativos? Quais acordos comerciais podem beneficiar nossos produtos? Nossas rotas logísticas estão preparadas caso seja necessário mudar a origem ou o destino das cargas?
Essas questões ajudam a transformar política externa em planejamento empresarial.
Comércio exterior exige visão de longo prazo
A eleição define muito mais do que a condução da política doméstica.
As escolhas do próximo governo sobre acordos comerciais, relacionamento com grandes potências e participação do Brasil em blocos internacionais poderão influenciar o ambiente em que importadores e exportadores operarão nos próximos anos.
Para empresas envolvidas no comércio internacional, o melhor caminho é acompanhar essas mudanças sem esperar que elas cheguem à operação.
Planejamento, diversificação de mercados e uma estrutura logística flexível permitem reagir com mais rapidez quando surgem oportunidades — ou quando o cenário internacional exige uma mudança de estratégia.
Na Madrigal & Campanilli, acompanhamos de perto o ambiente do comércio exterior para oferecer soluções de transporte marítimo, aéreo, terrestre e multimodal adaptadas às necessidades de cada operação.
Porque movimentar uma carga internacional não começa quando o contêiner chega ao porto. Começa com informação, planejamento e estratégia.